Dança
Dança
Ana Terra[1] Uxa Xavier[2]
A dança é uma linguagem artística do corpo em movimento. A prática da dança possibilita o desenvolvimento da sensibilidade e da motricidade Dançacomo pares entrelaçados. O domínio do movimento na dança propicia a ampliação de repertórios gestuais, novas possibilidades de expressão e comunicação de sensações, sentimentos, pensamentos. O refinamento do corpo em movimento encontra-se articulado à expressividade e à criatividade, envolvendo processos de consciência corporal (individual) e social (relacional), assim como, processos de memória, imaginação, concepção, e criação em dança nos âmbitos artístico e estético.
São esses alguns dos paradigmas da dança como linguagem artística a ser ensinada e aprendida na escola.
A dança está presente no salão de baile, nos desfiles de Carnaval, em um encontro de danças urbanas ou na roda de samba na rua, no pátio de uma escola, no palco de um teatro, no cinema, na televisão. As danças têm funções e sentidos ligados ao contexto de acontecimento, aos sujeitos que a vivenciam e que a desfrutam como público. Pensando em uma dimensão abrangente, acreditamos que todas as pessoas podem dançar.
Mas será que essas pessoas podem dançar qualquer uma das diferentes danças mencionadas acima assim que desejar? Cada uma dessas danças requer que aquele que deseja aprender se disponha a experimentar, a praticar (talvez repetidas vezes), seja vivenciando aprendizados informais (aprender com os amigos na roda de samba), não-formais (fazer dança de salão na associação de moradores do bairro) ou formais (estudar a dança como uma das linguagens da disciplina Arte, cursar uma escola técnica ou superior de formação profissional na área).
Se por um lado, cada contexto de ensino e aprendizagem da dança tem contornos diferenciados, poderíamos dizer que existe algo comum, importante a ser destacado para o professor que irá percorrer as situações de aprendizagem aqui propostas. Dançar implica em aprender sobre o movimento que aborda: o espaço nas suas relações de direções, níveis e planos; o tempo nas relações de pulsos, ritmos, pausa e velocidades com e no próprio corpo, tendo a ação e a reflexão sempre presentes.
Talvez, muitos professores possam se perguntar então: como irei ensinar dança se não sou bailarino ou mesmo, se não costumo dançar? De fato, para alguém se tornar um artista da dança cênica (espetacular) deverá realizar uma formação específica, contínua e profunda. Mas, sabemos que o ensino da arte na escola não tem a função de oferecer uma formação profissional, mas, proporcionar aos alunos a oportunidade de conhecer, apreciar, criar e viver a dança na escola, tendo experiências com sentido e ligada ao mundo dessa linguagem expandindo as possibilidades de formação e de participação social.Estamos então convidando os professores de Arte para enfrentar um desafio: aproximar-se da Dança como uma linguagem artística, procurando pontes com as demais linguagens de seu conhecimento, com suas histórias pessoais de corpo e movimento, com suas memórias e desejos dançantes, por vezes não manifestos.
[1] Educadora e artista da dança, socióloga (FFLCH/USP), mestre em Artes (IA/UNICAMP) e doutora em Educação (FE/UNICAMP). É professora titular do Curso de Dança da Universidade Anhembi Morumbi. Presta consultorias a projetos de formação profissional e educação continuada para artistas e professores de dança.
[2] Especialista no Método Laban Especialização pela USP; coordena o "Lagartixa na janela" grupo de pesquisa e criação em Dança/ Educação; Curadora de Dança do projeto Casas de Cultura e Cidadania AES/Eletropaulo.
